quarta-feira, 29 de abril de 2015

Sabedoria

Sabedoria em versos


Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.
Cora Coralina
...

Não sei se a vida é curta ou longa para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silencio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura enquanto durar.
 "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."

Cora Coralina
...
Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite 
minha pobreza tal como sempre foi. 

Que não sinta o que não tenho. 
Não lamente o que podia ter 
e se perdeu por caminhos errados 
e nunca mais voltou. 

Dai, Senhor, que minha humildade 
seja como a chuva desejada 
caindo mansa, 
longa noite escura 
numa terra sedenta 
e num telhado velho. 

Que eu possa agradecer a Vós, 
minha cama estreita, 
minhas coisinhas pobres, 
minha casa de chão, 
pedras e tábuas remontadas. 
E ter sempre um feixe de lenha 
debaixo do meu fogão de taipa, 
e acender, eu mesma, 
o fogo alegre da minha casa 
na manhã de um novo dia que começa.
Cora Coralina
...
O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida e com os humildes.

Cora Coralina
...
O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, 
no fim terás o que colher.
Cora Coralina

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Poesia

"Natureza
palpita em nossa células
o mutualismo de nossas vidas;
cantas nos meus versos;
vegeto nos teus cernes;
quando nos defrontamos,
um milagroso mimetismo
nos unifica".
Gilka Machado

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Gratidão

Graças Dou

Harpa Cristã

Graças dou por esta vida: pelo bem que revelou.
Graças dou pelo futuro e por tudo que passou.
Pelas bênçãos derramadas, pela dor, pela aflição,
Pelas graças reveladas! - graças dou pelo perdão.
Graças pelo azul celeste e por nuvens que há também,
Pelas rosas do caminho e os espinhos que elas têm,
Pelas noites desta vida, pela estrela que brilhou,
Pela prece respondida e a esperança que falhou.
Pela cruz e o sofrimento e a final ressurreição,
Pelo amor que é sem medida, pela paz no coração,
Pela lágrima vertida e o consolo que é sem par
Pelo dom da eterna vida, sempre Graças hei de dar!


www.youtube.com/watch?v=8oUkvLe2ta8
www.youtube.com/watch?v=2xkE_ianz0w

domingo, 19 de abril de 2015

Capacidade de indignação é essencial!!!

Servidores da Fundação Casa são contra a redução da maioridade penal

09/04/2015
Trabalhadores afirmam que ressocialização dos menores exige estrutura e condições dignas no ambiente de trabalho

Escrito por Vanessa Ramos

Mulheres e homens que trabalham em diferentes áreas da Fundação Casa, com adolescentes e jovens autores de atos de violência, estiveram reunidos nesta quinta-feira (9), em frente à Assembleia Legislativa de São Paulo, para cobrar resposta do governo estadual à pauta da campanha salarial.
Mas a atividade não parou por aí. Como uma das pautas mais caras à sociedade está em evidência e tem relação direta com o ambiente de trabalho desses servidores, eles também aproveitaram para se posicionar contrários à PEC 171, de 1993, que propõe a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.  Ela foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, no último dia 31 de março, e segue tramitando.

“Sabemos que o sistema ainda não tem as condições plenas, mas tirar a chance de um adolescente ou jovem ser recuperado e colocá-lo nas cadeias é o mesmo que não tratar o problema em sua raiz. Ao mesmo tempo é permitir que ele, em processo de formação, se forme definitivamente na escola do crime, onde atuam grandes facções, seja aqui em São Paulo ou no restante do Brasil”, afirma o presidente Aldo Damião Antônio, do Sindicato dos Trabalhadores em Entidades de Assistência e Educação à Criança, ao Adolescente e à Família (Sitraemfa).

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), dos 21 milhões de adolescentes brasileiros, apenas 0,013% cometeu atos contra a vida. “As vítimas têm cor, classe social e endereço. Em sua grande maioria, são meninos negros, pobres, que vivem nas periferias das grandes cidades”, diz a organização.

Os dados da Unicef são confirmados pela psicóloga Maria Helena Machado, que há 15 anos trabalha na Fundação Casa. Hoje atua na Casa São Luiz 2, na região extrema da zona sul da capital. “Existe um recorte racial nas casas, os adolescentes internos em sua grande maioria são negros. Conversamos com eles sobre a questão racial, mas com o apoio de parceiros da própria comunidade. É o que sempre digo, a socioeducação precisa ser feita de forma adequada para dar certo”.

A servidora explica que os menores perguntam o que é a PEC. “Não conseguem compreender de maneira geral, isso porque a proposta de reduzir a maioridade penal apresenta um discurso vazio. Mas a questão é também outra, esses adolescentes foram excluídos desde a infância, da creche, da Emei [Escola Municipal de Educação Infantil] e da escola formal. Segregados na sociedade, se tornaram infratores”.

Contradição permanente
O agente de apoio socioeducativo da Fundação Casa, Laércio José Narciso, expressa descontentamento com as condições de trabalho e diz existir negligência do estado tanto com os servidores como com os adolescentes e jovens.
“Alguns viram pra mim e dizem: - ‘senhor, de boa, eu vou dirigir minha caranga [carro] e conhecer os manos dentro da cadeia´.  Não são todos que pensam assim e que querem conhecer um CDP [Centro de Detenção Provisório], mas com certeza muitos não entendem que a cadeia vai afastá-los do convívio social”.
Por outro lado, Narciso, que é também autor do livro “Cadeia de Chocolate”, no qual aborda o cotidiano dentro da Fundação Casa, observa que existem adolescentes que apontam outro lado. “Outro me disse também: – 'senhor, aqui tenho gel, pasta de dente e danone. Em casa, eu não tenho nada disso. Lá tenho dois irmãos internados, mais um na cadeia. Quando sair daqui, não sei o que vou fazer”, relata a fala do menino da periferia de São Paulo.
Maria Helena lembra que existem unidades que comportam 90 menores, mas que hoje acolhem cerca de 250. Ela reitera que, além da superlotação nas unidades, cada psicólogo chega a atender, em média, de 30 a 50 adolescentes semanalmente. “Não temos condições de atendimento no espaço físico dentro dos centros de ressocialização, nem salas de atendimento psicológico e nem onde atender os adolescentes. Muito menos conseguimos resguardar o sigilo do atendimento psicológico”.

Segundo ela, as mães dos adolescentes e jovens chegam a ser atendidas pelos psicólogos em salas de revista. “Para quem não sabe, são salas sem janelas e com apenas uma porta. Além de estarmos expostos a riscos ambientais, estamos expondo os adolescentes e a família toda a esta situação”, lamenta.

www.sindpsi.org

Que País é este?

02/04/2015

Quando a redução da maioridade penal 

ganha mais apelo do que a redução das 

desigualdades sociais


Escrito por Vinícius Saldanha, dirigente do SindPsi



Há algo de muito errado com um país quando a redução da maioridade penal ganha mais apelo na opinião pública do que a redução das desigualdades sociais, especialmente em um país marcado por esta última de maneira profunda.

Em primeiro lugar, é preocupante quando vemos o desvirtuamento do real compromisso que um Congresso Nacional deveria ter para com seu povo, ou seja, trabalhar pelo bem-estar comum, sobre temas que perpassam os diversos segmentos, pelos pressupostos democráticos e republicanos. Pelo contrário, o atual Congresso, que boicota as pautas democráticas e republicanas, por exemplo, obstruindo a votação do orçamento da União, a reforma política, a democratização dos meios de comunicação, entre outras, se apressa em votar a PEC da maioridade penal, elegendo-a como prioridade, como se dela dependesse o futuro da nação, assegurando a esta pauta uma agilidade de tramitação que outras pautas não têm.

A mídia, por sua vez, no melhor estilo "olho por olho e o mundo acabará cego" (ou seria "Olho na Globo e o mundo acabará cego"?), aposta no apelo emocional, no ódio, no desejo de vingança ("e se fosse com você ou com alguém da sua família?"), para abordar o tema de maneira fragmentada, passional, distorcendo sua visão mais ampla. Além disso, nega-se a discutir o contraditório, vide o ato de não dar espaço às entidades e movimentos que se posicionam contrários à proposta. Reforça sua argumentação em pesquisas que apontam ser a maior parte da população a favor da redução da maioridade penal. Ora, a democracia não é um processo constante de aferição de preferências circunstanciais, ainda mais quando os parâmetros de avaliação estão consideravelmente contaminados. Não estamos limitados a uma democracia plebiscitária - afinal tente perguntar se a maioria da população não quer que o salário mínimo suba para 5 mil reais. Se a maioria diz que sim, o Congresso vai aprovar o aumento do salário mínimo para esse valor?

Há de se ter os dois pés atrás com quem se apressa em fazer julgamentos e tomar decisões sem o devido diálogo, como faz a grande mídia e as forças predominantes no atual Congresso. Aliás, abrir mão de um debate amplo neste momento é um grande desserviço à nação. E, por falar nisso, quem é que teme o debate, o contraditório? Geralmente são aqueles que desconhecem suas próprias razões ou se envergonham delas (esses últimos tendem a maquiá-las, para que pareçam mais belas). No maior estilo blitzkrieg bop, a estratégia desses representantes da velha direita é tomar o Estado de assalto, retirando os direitos conquistados nas últimas décadas, enterrando as aspirações de um Estado protetor, mediador de relações igualitárias, para solidificar um modelo de Estado que se isenta do seu papel protetivo, assegurador de direitos, e que assume a função estritamente punitiva sobre seus cidadãos, exceto sobre os membros da elite, é claro.

Fazem isso porque se beneficiam de um país desigual, desejam um Estado que perpetue estas desigualdades, assegurando os próprios benefícios políticos, sociais, econômicos, oferecendo para a população oprimida a única política pública que consideram pertinente: a política do chumbo, a política do encarceramento. Isso explica o fato de os maiores defensores da redução da maioridade penal empunharem, como suposto argumento, a bandeira contra a impunidade, mas de não fazerem o mesmo no sentido de responsabilizar o Estado diante das flagrantes omissões contra crianças e adolescentes, ao não garantir condições adequadas de educação, saúde, moradia, abrigo institucional, ou diante da violência explícita em forma de abusos e extermínios cometidos por forças policiais nas periferias contra os jovens, ou ainda diante da seletividade da nossa justiça. 
Não por acaso, são esses que comumente se voltam contra as alternativas que tem reduzido, ao menos em partes, as desigualdades no Brasil, como as de transferência de renda, a lei de cotas, as ações autoafirmativas, os programas habitacionais, a democratização do acesso ao ensino superior, entre outras tantas, ainda que insuficientes. O problema é que as noções de justiça e de Estado que nos são veiculadas não ultrapassam a fronteira do nosso próprio nariz, e nem poderiam, pois se baseiam no individualismo, na exclusão do outro, na vingança, no ódio, onde é descartada qualquer tentativa de entender as relações de modo a transformá-las.

Uma vez que a redução da maioridade penal não vem, assim como mostram experiências ao redor do mundo, acompanhada de redução dos índices de violência, as perguntas que deveríamos fazer se pautam muito mais pela necessidade de mudanças na nossa estrutura desigual de sociedade do que em aspectos morais individuais.


Pergunta-se muito sobre qual seria a penalidade ou a medida adequada para que um adolescente em conflito com a Lei (ou seria a Lei em conflito com o adolescente?) "pagasse pelo que fez" e se tornasse apto para a convivência em sociedade. Penso que a pergunta deveria ser sobre o quanto precisamos transformar nossa sociedade, suas relações desiguais, seus fatores de vulnerabilidade, suas políticas públicas, de modo a torná-la apta para acolher nossas crianças, adolescentes e a nós mesmos.
A dificuldade de se formular esta última pergunta expressa uma sociedade fragilizada diante de interesses obscuros, antidemocráticos. Os tempos são difíceis. Mas a resposta para isso deve ser mais democracia, mais participação, mais debate. Sim, construir um debate pautado na justiça social é muito mais trabalhoso do que apelar para o sensacionalismo, o que torna nossa empreitada mais difícil.

Mas temos hoje o compromisso e uma oportunidade histórica ímpar. Talvez, mais do que pelas respostas, a história se mova pelas perguntas. Tenhamos força e disposição para, nesse atual momento de ataques reacionários aos nossos direitos, de crise política, construir, junto à sociedade, as perguntas certas para o momento.
http://www.sinpsi.org/artigos.php?id=124


sexta-feira, 17 de abril de 2015

Vida!!!

Tempo de Travessia

Fernando Pessoa



"Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas,
Que já tem a forma do nosso corpo,
E esquecer os nossos caminhos,

que nos levam sempre aos mesmos lugares.
É o tempo da travessia:
E, se não ousarmos fazê-la,
Teremos ficado, para sempre,
À margem de nós mesmos"

Amém!!!

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Maioridade Penal em Debate:"Eu vejo Flores em você!!!"

"Eu vejo Flores em você!!!"


Hoje vale ler "O Liberal" (jornal de Americana-SP), de 15 de abril de 2015, pois temos que nos apropriar da leitura da realidade integrando seus vários olhares, sobretudo, para não "ter dois pesos e uma medida": não ter uma opinião unilateral e superficial. Aliás, não incorrer "no olho por olho e dente por dente", no violento País da Lei do Talião, de Lei de Gerson e da impunidade imperante.
Há necessidade de muita interlocução, posição madura, responsável e sensata, pois somos nós os representantes do mundo adulto diante dos nossos jovens. Sobretudo, somos nós os responsáveis pelo caos que há no mundo que apresentamos aos que estão em desenvolvimento, tanto crianças como jovens.

"Qual o mundo que deixaremos aos nossos filhos? Que filhos iremos deixar para o mundo?" (plagiando o que outros antes falaram...)

Lembrando que eles jovens - não são adultos e nem mini adultos - não estão prontos. Obrigatoriamente temos ainda que terminar nossa tarefa de casa: formar cidadãos!!!
Assim, indico lerem as opostas opiniões: contra e a favor da PEC 171 (engodo  e estratégia política para "tapar o sol com a peneira" sobre as causas da violência).


Também, recomendo:o impactante e crítico filme, o curta no Youtube:  "Ilha das Flores"  www.youtube.com/watch?v=e7sD6mdXUyg


Contra prisão para adolescentes dos 16 a 18 anos - deteriorante para qualquer ser humano:
"Não nos esqueçamos que, um dia, esse jovem voltará à sociedade e de que forma pretendemos que volte?" 
(Dr. Rodrigo A. de Oliveira Promotor de Justiça da Infância e da Juventude).



"Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda". 
(Cecilia Meireles)




Liberdade com responsabilidade: 
Sem dúvida alguma Deus existe!!!